
Existe uma diferença enorme entre ter autoestima e colocar o próprio currículo afetivo na categoria de “vaga extremamente específica”. A pessoa pode ser bonita, inteligente, engraçada e ter uma confiança invejável, mas aparentemente o mercado de relacionamentos não funciona como uma loja de shopping. O problema é que, quando o padrão sobe demais, até o algoritmo do amor começa a apresentar erro 404. E sempre existe aquele momento em que alguém decide fazer uma análise completamente desnecessária, transformando uma simples dúvida amorosa em avaliação de veículo usado.
A comparação com carro encalhado é tão brasileira que quase dá para imaginar uma tabela de preços emocionais: manutenção em dia, quilometragem baixa, sem histórico de colisão e, principalmente, nada de acessórios que aumentem demais o valor. Porque, no maravilhoso mercado dos relacionamentos, tem gente procurando um parceiro como quem procura carro seminovo: bonito, confiável, econômico e sem passagem pela oficina. O pior é que essa lógica pode atingir qualquer pessoa, porque ninguém escapa de virar especialista em relacionamento depois de cinco minutos nas redes sociais. No fim, talvez o problema não seja encontrar alguém no mesmo nível. Talvez seja descobrir que, no amor, todo mundo acha que é carro de luxo enquanto o mercado insiste em oferecer financiamento de 72 parcelas.
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